viajando no microcosmo

aconteceu que após os fotogramas em placa úmida de colódio e a cristalização que aconteceu sobre a placa de ferrótipo, fiquei muito instigada a ver coisas muito de perto. esse desejo se desdobrou em duas coisas: uma caixa com um fotograma e tudo que participa da gênese daquela imagem (trabalho de que falarei em outro post) e a investigação mais assertiva para a aquisição de um microscópio.
ocorre que os cientistas são ‘especialistas-de-uma-parte-de-uma-área-específica’ e ninguém se sentia confortável de me responder  uma pergunta tão específica sem ser especialista naquilo. eu precisava saber ‘qual o fator de aproximação do microscópio para que eu veja cromoplastos?’. consultei bem uns 6 ou 7 biólogos até que um professor da Usp, do Laboratório de Anatomia Vegetal (Departamento de Botânica, Instituto de Biociências) me respondeu.

“Os cromoplastos, como qualquer plastídeo, podem ser visualizados em muitos aumentos diferentes, pois são organelas muito grandes, e podem ser observados desde aumentos com a objetiva de 10x, ou seja, 100x de aumento (total). A presença de pigmento às vezes permite a sua observação até em aumentos menores, embora sem resolução. A questão é para a observação de detalhes que devem ser observados com 400x ou 1000x de aumento. Os cortes anatômicos para a observação dos cromoplastos devem ser feitos em material fresco seccionado à mão, então, é muito simples. Sugiro que você vá ao laboratório de Anatomia Vegetal do Departamento de Botânica do IB da UNICAMP e veja se pode fazer um estágio curto só para aprender a cortar e identificar os cromoplastos ao microscópio. Espero ter ajudado.”

o professor Diego Demarco me ajudou bem! a partir da resposta dele pude dar um passo adiante. descobri que o melhor seria ter um microscópio que ampliasse a 1000x para garantir visualizar os cromoplastos com bastante detalhamento.

a etapa seguinte foi descobrir qual seria um microscópio com esse fator e financeiramente viável para mim. depois de ver muitos videos no youtube, cheguei a conclusão de que o que era usado pelo biólogo do canal ‘ciência curiosa’ para fazer os videos, era um opton. e foi o que comprei. certamente não deve ser o melhor, mas é um que gera imagens relativamente decentes em termos de resolução e qualidade óptica (creio que eu vá continuar achando isso somente até observar num microscópio excelente, microscópios devem ser como câmeras fotográficas com boas objetivas – existem as excelentes e aquelas que os simples mortais conseguem adquirir).


e foi então que saindo da loja munida de microscópio, lâminas e lamínulas, montei o dito cujo e me aventurei no preparo das lâminas pra visualização.


foram flores (pétalas e pistilos de flor de manjericão), pistilos e pétalas de flor de oxalis latifolia, pétalas de clitorea ternatea, pétalas de hibiscos, cortes de batata doce entre outras. ainda não fiz contato com Laboratório de Anatomia Vegetal do I.B. da Unicamp, portanto ainda não sei fazer as lâminas a sério e sem bolhas de ar (e me limitei a fazer lâminas com materiais bem finos já que ainda não sei fazer os cortes), tampouco sei identificar o que vejo, mas apesar dessa minha inaptidão técnica pude me deparar com uma linda série de paisagens ficcionais! e tenho viajado em planícies, rios e corredeiras do microcosmo.


ainda não vi na aproximação máxima e descobri que a lente que tem o fator de aproximação maior do meu microscópio vem com uma indicação:’OIL’. o google me informou que para o uso dessa lente é preciso pingar uma gota de óleo de imersão sobre a lamínula e encostar a lente nessa gota, que faz com que essa luz não se disperse garantindo a visualização com boa luminosidade. daí fui adquirir o tal do óleo de imersão numa loja online. 

aproveitei a compra e também adquiri mais lamínulas (dessa vez redondas), uma super pinça fina, um porta lâminas. comprei também algumas placas de petri, só por que são uns lindos objetos, com grande potencial visual para se tornar parte de algum de meus trabalhos.
ainda preciso aprender a fazer o preparo adequado das lâminas e a identificar aquilo que vejo. e essas serão as cenas dos próximos capítulos desse percurso 🙂

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