do primitivo, primeiro, matéria prima

quanto mais me envolvo com a pesquisa, mais imersa fico. em alguns momentos chego a pensar que apesar de várias coisas estarem me interessando do ponto de vista da experimentação com materiais, talvez sinta dificuldade de encontrar o elo de ligação entre todas elas no futuro.

recentemente tenho refletido que a efemeridade não está mais no eixo central da pesquisa, tampouco o anthotype, mas eles de certa forma me dirigiram para o percurso que tenho percorrido. creio que as experiências com as plantas me conduziram para a relação com a materia prima, a matéria primeira, o lado mais primitivo das coisas. e a partir daí, aparentemente meu interesse caminhou para tudo aquilo que é precursor.

fui para o desenho com câmera lúcida, que é o pré-fotográfico.

o uso de desenhos com câmara clara é a pré-fotografia, quando os materiais que fixavam as imagens ainda não tinham sido descobertos. no século XIX mary somerville (1780-1872) pesquisava os efeitos das luzes nos pigmentos de plantas. o século XIX é quando se tem o início dos estudos de vários materiais fotossensíveis por pessoas diversas, em diferentes locais do mundo, todos estudando mais ou menos no mesmo período.

recentemente fiz algumas imagens usando plantas como matrizes. são fotogramas, sem o uso da câmera. os chamados desenhos fotogênicos de talbot. usei, sim, em outro tipo de suporte (placa úmida de colódio) e não sobre os calótipos, inventados por fox talbot, mas ainda assim, é o uso do objeto como matriz.

no trabalho que estou finalizando atualmente, pretendo usar pequenas porções de matéria prima em pequenos frascos como parte visual da obra. seria algo como a maleta de pesquisas onde está tudo aquilo que participa da gênese de uma daquelas imagens ali exposta: os sais, a lente, a luz e a exsicata. como parte dessa ficção, entram também anotações dos elementos químicos e a ação esperada de cada conjunto de sais no processo da criação da imagem. as anotações aparecem em latim, como nas ilustrações alquímicas.

ao mesmo tempo, esse desejo de chegar ao essencial, que vem da extração dos pigmentos através da maceração e filtragem do sumo das plantas, aparece novamente quando o surge o interesse por visualizar e registrar plastídeos, mais precisamente a estrutura vegetal que armazena os pigmentos, o cromoplasto.

com isso, acredito que estou me entranhando cada vez mais profundamente na matéria prima, na sua visualidade, características e ação.

 

 

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