Senta que lá vem estória…

sobre o festival, o curso de daguerreótipo, e a cidade de Porto Alegre

*recebi uma bolsa do sesc para ir ao festfotopoa. o que segue é um relato informal de minhas impressões. o relato formal terá de ser enviado ao sesc.

DA COORDENAÇÃO/ORGANIZAÇÃO DO FESTFOTOPOA
Tão logo recebi a notícia da bolsa, me inscrevi no curso e enviei um email ao festival para avisar que precisaria de um recibo. O que parecia fácil virou uma grande confusão. O recibo nunca chegava. Vinte dias mais tarde, resolvi ligar. Fui submetida ao despreparo da coordenadora adjunta do projeto, que nervosamente, num determinado momento da conversa me perguntou se eu queria meu dinheiro de volta, pois seria mais fácil ela me devolver o dinheiro, que me enviar o recibo. Confesso que minha vontade foi dizer que ‘queria sim, não queria mais saber de nada que envolvesse aquela coordenação’, mas fiquei refém da situação, pois o sesc já havia me concedido as diárias, e as passagens já tinham sido compradas. Duvidei de um evento que abre mão de um interessado de outro Estado já inscrito num curso.
Ela me garantiu que me entregaria o recibo quando eu estivesse em Porto Alegre. Preferi não me indispor mais, pois receava que o meu mau-humor contaminasse todo o resto. Fiz reservas num hotel próximo de onde aconteceria o curso e as palestras noturnas.
Cinco dias do início do festival recebi um email avisando que ‘por motivo que não valia ser mencionado o curso mudaria de local’. Consultei o novo local… 6km do hotel. Três dias do início do curso recebi novo email ‘confirmando datas e local’. A data também tinha mudado! Por via das dúvidas, enviei email perguntando se tinha sido erro de digitação, já que não mencionava que ‘por motivo que não merecia ser mencionado’ tinha sido mudada também a data. Sem resposta. Domingo, véspera do início do curso, já estava em porto alegre, ainda sem saber se teria aula na 2ª. feira. Enviei novo email. Tive resposta de que a data tinha mudado, sim.

DAS PROJEÇÕES
Segunda à tarde, início das projeções: projetor descalibrado (super saturado) e projeção desfocada. A conversa era de que a projeção vinha ao encontro do formato multimídia do festival e de que isso democratizava a visualização. Sei, sei…
Concordo que a arte deve ser democratizada (se bem que… levando em conta que a pessoa necessita de computador pra ter acesso, isso já me parece contraditório), mas me senti enganada: já que tinha me aventurado até o Sul, merecia ver uma projeção decente. Senão, seria um despropósito: poderia ter visto a projeção confortavelmente de São Paulo, num monitor calibrado.
Soube que não fui a única que estava lá e que deixou de ver as projeções por se incomodar com a qualidade do projetor.

DO CURSO
Dia do inicio do curso. 23 reais em taxi, e estava no local.
Começamos com uma boa aula teórica da história da fotografia. Dia seguinte teríamos de ir preparados para polir e lavar loucamente uma placa de cobre. Foi o que foi. Na terceira aula, oxi-redução na placa com banho de prata. Quarta aula borá lá polir e lavar novamente agora a placa de cobre coberta de prata! Na quinta aula sensibilizar a placa com vapores tóxicos, expor, revelar e fixar. Imagem pronta e seca, montar tudinho pressionando com vidro pra não oxidar. Não há do que reclamar do curso. A turma trabalhou junta, a monitora voluntária foi muito presente (o projeto tem patrocinio da caixa e apoio do ministério da cultura e trabalha com voluntários?), foi bem prestativa e educada com todos. Gostei bastante dos outros parcipantes, pudemos trocar várias informações. O professor antes de ser fotógrafo tem formação em química, o que nos deixa mais tranqüilos ao lidar com produtos químicos tão perigosos. O curso foi fantástico! O motivo maior de eu ter ido ao festival era saber sobre a viabilidade de fazer esse curso no lab do Pompéia. Se tudo correr bem, em julho teremos esse curso em Sampa.

DAS PALESTRAS
É inegável a qualidade dos profissionais convidados para o evento. Infelizmente, pelas minhas contas, pelo menos 5 faltaram (Milton Guran, Pedro Karp Vasquez, Nair Benedicto, Francesca Nocivelli/Clic Maravilha, Luiz Humberto). Considero que o grande nome do festival foi o JRRipper. Conhecia pouco do trabalho autoral dele e desconhecia a seriedade do projeto do Observatório da Favela. Na fala calma, precisa e responsável de Ripper pude saber sobre fotografia de denúncia, fotografia documental, sobre a agência cuja proposta é ter a comunidade como geradora de informação. A fotografia de Ripper é uma fotografia mais humana. Gostei do trabalho, do projeto de inclusão social e sobretudo da postura dele. Nessas palestras encontrei/conheci pessoas interessantes e voltei com algumas idéias para projetos futuros.

DA CIDADE
Como desisti de ver as projeções, aproveitei o tempo para conhecer e fotografar a cidade. E quando eu viajo, fico com uma fome de olhar pra tudo e fazer uma imersão no lugar. Procuro as coisas de que gosto com particularidades daquele local: restaurantes, comidas/bebidas locais, lojas de chocolate, de chás, de produtos de banhos. Adorei tudo que experimentei: Gambrinus (fica no mercado e serve um ótimo filé de linguado), Atelier de Massas (muitas opções de molhos e recheios, numa massa artesanal deliciosa), Teatro São Pedro (se não puder ver algum espetáculo, ao menos aproveite e tome um chá… que não tem nada de mais, mas a vista é impagável), Confeitaria do Max (é uma chocolateria tradicional, o chocolate é melhor do que todos os que provei em gramado), Body Store (loja que tem fábrica em porto alegre, com produtos de banho de ótima qualidade). Do Mercado Público: Sebrae (para comprar artesanato regional), Banca 40 (vende o caldo da salada de frutas por um precinho tão gostoso quanto o suco), Ponto do Chimarrão (foi onde comprei todos os apetrechos pra preparar um bom chimarrão: cuia, bomba de inox, e erva a granel. segui a dica do vendedor e trouxe a Amizade que foi elogiada por todos que provaram), Empório (na banca 38, tem os doces que trouxe: pessegada, passas de pêssego e as famosas mariolas), Casa de Pelotas (um lugar excelente pra tomar aquele café bem tirado, acompanhado de um docinho, dê preferência a uma mesa próxima da janela pra ficar olhando a vista). Ah, no centro da cidade, o hotel em que fiquei foi bem honesto (Lido hotel): o café da manhã poderia ser melhor, mas o atendimento é bem gentil, preço acessível, wireless no quarto sem pagamento adicional.

Como podem perceber foi quase perfeito. Mas deixou mesmo muito a desejar a organização do evento…

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1 Comment

  1. Bom dia
    li agora seu blog… bem interessante o que vc escreve sobre o festfotopoa
    Vc escreve que sentiu falta de algumas pessoas nos seminários e palestras. Uma dela sou eu, Francesca.
    Vc quer saber porque???

    leia no meu blog
    http://francescanocivelli.blogspot.com
    “carta aberta ao senhor Calos Carvalho”

    falar em falta de organização é pouca coisa
    melhor falar em má- educação

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