ciências naturais

Em minha visita a Madrid decidi procurar um museu de ciências naturais para visualizar soluções em termos de montagens e mobiliários e formas de abordar e expor itens de interesse científico. Fui ao museu de ciências naturais da cidade para conhecer o real gabinete de ciências.Frascos com espécimes em formol, microscópio portátil e suas laminas, fósseis, minerais, animais embalsamados, tudo junto e misturado. Para expor, vitrines com bases de madeira e cubas de vidro, estantes, mapotecas… foi possível ‘atualizar’ minha imaginação em relação a como minhas imagens e registros poderão ser mostradas ao término do projeto.

20170601_14165720170601_14174620170601_14384820170601_14511620170601_15483820170601_15532220170601_16021120170601_16114420170601_162515Nesse final de semana pude ir ver uma série de performances de Paulo Bruscky. Em maio do ano passado estive em seu ateliê por conta de um levantamento de obras que comporiam a exposição ‘artistas achados e apropriados’ dentro do projeto ‘Estou Cá’. Nessa visita ele contou sobre o processo de criação de parte de sua produção. Ele foi funcionário público durante toda a vida, e trabalhou um tempo em um hospital. Nesse período, em seus horários livres, fez experimentações com diversos equipamentos médicos, dos quais surgiram performances que resultavam em registros gráficos. Eletrocardiogramas, eletroencefalogramas, radiografias, entre outros. 


Para ele, também interessa fazer esse casamento entre arte e ciência, utilizar equipamentos científicos/médicos com finalidade artística. Para mim, os métodos e materiais científicos carregam potenciais estéticos.

No final do mês agendei um encontro com uma professora de botânica do IB da Unicamp para aprender o preparo das lâminas histológicas e identificação das organelas das plantas que tenho utilizado nos anthotypes. Por que antes de subverter os materiais, processos e equipamentos científicos para finalidades artísticas é importante também saber o uso corrente dessas coisas. 

E eu quero ver cromoplastos 🙂

brotar

no feriado fui até holambra. foi uma espécie de maratona: fomos à campinas ver a palestra da Rosana Paulino e da Nair Benedicto no festival hercule florence, passamos uma manhã em holambra e fomos à tarde para barão geraldo conhecer o espaço casa de Eva. de holambra trouxe várias plantinhas, entre elas um vaso com feijão borboleta, ou clitorea ternatea, para os íntimos. tinha uma vagem seca, cheia de sementinhas. resolvi fazer tal qual experimento científico do pré-primário: envolvê-las uma a uma em algodão úmido para iniciar a germinação.

na última segunda-feira fui visitar minha amiga Fátima Roque. falamos sobre muitas coisas e ela tinha separado um documentário sobre a Lourdes de Castro para eu ver. a Lourdes é uma artista portuguesa, nascida na ilha da Madeira. viajou na década de 70 para Paris e se envolveu com a cena artística de lá. voltou muitos anos depois para a madeira, onde vive até hoje numa casa ateliê cercada de jardim e plantações que cuida diariamente. é de lá que surge parte da matéria prima de vários de seus trabalho. o filme, dirigido pela Catarina Mourão, é delicado e segue os mesmos princípios de Lourdes em seus trabalhos, respeitando o vagar das coisas cotidianas, o ritmo do crescimento das plantas e o protagonismo da materialidade das sombras, tão frequente em sua produção artística. num dado momento ela diz que tem sorte de ter nascido lá, e por isso, não tem pressa nenhuma para nada.

as últimas semanas foram muito corridas, e as próximas prometem ser ainda mais aceleradas. foi muito bom passar essas horas conversando, dedicar esse tempo a ver o filme sem pressa, desfrutar do momento agora. 

quando voltei de holambra, coloquei 8 sementes no algodão ao lado da minha cama e dediquei alguns minutos todas as manhãs nos últimos dias as observando e umedecendo. dentre as oito, duas vingaram. e passadas duas semanas, já estão com dois pares de folhas cada uma.

a Lourdes lê no filme um haicai (de Kobayashi Issa) que não me sai da cabeça: 

‘nous marchons en ce monde 

sur le toit de l’enfer 

en regardant les fleurs’


nesse mundo/ nós caminhamos sobre o telhado do inferno/ olhando as flores‘.

ao ver as sementes brotadas, me lembrei do trabalho do jardim de Rubiane Maia na exposição Terra Comunal. e me lembrei da Lourdes de Castro dizendo no filme (ao pegar uns bulbos brotados dentro de um armário), que é na escuridão que essas coisas ‘trabalham’ e como seria interessante poder observar como as raízes se relacionam no subsolo. 

infelizmente, esse ritmo mais lento, ter esse momento de observar o tempo que as coisas levam para acontecer, não parece ser viável nesse mundo que vivemos hoje, em que só caminhamos no telhado do inferno. é sempre preciso cavucar espaço/tempo na agenda pra dedicar às coisas particularmente importantes. o tempo para observar as flores…

olhando para a germinação, previ umas sementes brotadas em tubos de ensaio, e já estou cheia de ideias…

o trabalho poderia chamar: ensaios sobre o tempo que faz e o tempo que passa, que tal?

viajando no microcosmo

aconteceu que após os fotogramas em placa úmida de colódio e a cristalização que aconteceu sobre a placa de ferrótipo, fiquei muito instigada a ver coisas muito de perto. esse desejo se desdobrou em duas coisas: uma caixa com um fotograma e tudo que participa da gênese daquela imagem (trabalho de que falarei em outro post) e a investigação mais assertiva para a aquisição de um microscópio.
ocorre que os cientistas são ‘especialistas-de-uma-parte-de-uma-área-específica’ e ninguém se sentia confortável de me responder  uma pergunta tão específica sem ser especialista naquilo. eu precisava saber ‘qual o fator de aproximação do microscópio para que eu veja cromoplastos?’. consultei bem uns 6 ou 7 biólogos até que um professor da Usp, do Laboratório de Anatomia Vegetal (Departamento de Botânica, Instituto de Biociências) me respondeu.

“Os cromoplastos, como qualquer plastídeo, podem ser visualizados em muitos aumentos diferentes, pois são organelas muito grandes, e podem ser observados desde aumentos com a objetiva de 10x, ou seja, 100x de aumento (total). A presença de pigmento às vezes permite a sua observação até em aumentos menores, embora sem resolução. A questão é para a observação de detalhes que devem ser observados com 400x ou 1000x de aumento. Os cortes anatômicos para a observação dos cromoplastos devem ser feitos em material fresco seccionado à mão, então, é muito simples. Sugiro que você vá ao laboratório de Anatomia Vegetal do Departamento de Botânica do IB da UNICAMP e veja se pode fazer um estágio curto só para aprender a cortar e identificar os cromoplastos ao microscópio. Espero ter ajudado.”

o professor Diego Demarco me ajudou bem! a partir da resposta dele pude dar um passo adiante. descobri que o melhor seria ter um microscópio que ampliasse a 1000x para garantir visualizar os cromoplastos com bastante detalhamento.

a etapa seguinte foi descobrir qual seria um microscópio com esse fator e financeiramente viável para mim. depois de ver muitos videos no youtube, cheguei a conclusão de que o que era usado pelo biólogo do canal ‘ciência curiosa’ para fazer os videos, era um opton. e foi o que comprei. certamente não deve ser o melhor, mas é um que gera imagens relativamente decentes em termos de resolução e qualidade óptica (creio que eu vá continuar achando isso somente até observar num microscópio excelente, microscópios devem ser como câmeras fotográficas com boas objetivas – existem as excelentes e aquelas que os simples mortais conseguem adquirir).


e foi então que saindo da loja munida de microscópio, lâminas e lamínulas, montei o dito cujo e me aventurei no preparo das lâminas pra visualização.


foram flores (pétalas e pistilos de flor de manjericão), pistilos e pétalas de flor de oxalis latifolia, pétalas de clitorea ternatea, pétalas de hibiscos, cortes de batata doce entre outras. ainda não fiz contato com Laboratório de Anatomia Vegetal do I.B. da Unicamp, portanto ainda não sei fazer as lâminas a sério e sem bolhas de ar (e me limitei a fazer lâminas com materiais bem finos já que ainda não sei fazer os cortes), tampouco sei identificar o que vejo, mas apesar dessa minha inaptidão técnica pude me deparar com uma linda série de paisagens ficcionais! e tenho viajado em planícies, rios e corredeiras do microcosmo.


ainda não vi na aproximação máxima e descobri que a lente que tem o fator de aproximação maior do meu microscópio vem com uma indicação:’OIL’. o google me informou que para o uso dessa lente é preciso pingar uma gota de óleo de imersão sobre a lamínula e encostar a lente nessa gota, que faz com que essa luz não se disperse garantindo a visualização com boa luminosidade. daí fui adquirir o tal do óleo de imersão numa loja online. 

aproveitei a compra e também adquiri mais lamínulas (dessa vez redondas), uma super pinça fina, um porta lâminas. comprei também algumas placas de petri, só por que são uns lindos objetos, com grande potencial visual para se tornar parte de algum de meus trabalhos.
ainda preciso aprender a fazer o preparo adequado das lâminas e a identificar aquilo que vejo. e essas serão as cenas dos próximos capítulos desse percurso 🙂

do primitivo, primeiro, matéria prima

quanto mais me envolvo com a pesquisa, mais imersa fico. em alguns momentos chego a pensar que apesar de várias coisas estarem me interessando do ponto de vista da experimentação com materiais, talvez sinta dificuldade de encontrar o elo de ligação entre todas elas no futuro.

recentemente tenho refletido que a efemeridade não está mais no eixo central da pesquisa, tampouco o anthotype, mas eles de certa forma me dirigiram para o percurso que tenho percorrido. creio que as experiências com as plantas me conduziram para a relação com a materia prima, a matéria primeira, o lado mais primitivo das coisas. e a partir daí, aparentemente meu interesse caminhou para tudo aquilo que é precursor.

fui para o desenho com câmera lúcida, que é o pré-fotográfico.

o uso de desenhos com câmara clara é a pré-fotografia, quando os materiais que fixavam as imagens ainda não tinham sido descobertos. no século XIX mary somerville (1780-1872) pesquisava os efeitos das luzes nos pigmentos de plantas. o século XIX é quando se tem o início dos estudos de vários materiais fotossensíveis por pessoas diversas, em diferentes locais do mundo, todos estudando mais ou menos no mesmo período.

recentemente fiz algumas imagens usando plantas como matrizes. são fotogramas, sem o uso da câmera. os chamados desenhos fotogênicos de talbot. usei, sim, em outro tipo de suporte (placa úmida de colódio) e não sobre os calótipos, inventados por fox talbot, mas ainda assim, é o uso do objeto como matriz.

no trabalho que estou finalizando atualmente, pretendo usar pequenas porções de matéria prima em pequenos frascos como parte visual da obra. seria algo como a maleta de pesquisas onde está tudo aquilo que participa da gênese de uma daquelas imagens ali exposta: os sais, a lente, a luz e a exsicata. como parte dessa ficção, entram também anotações dos elementos químicos e a ação esperada de cada conjunto de sais no processo da criação da imagem. as anotações aparecem em latim, como nas ilustrações alquímicas.

ao mesmo tempo, esse desejo de chegar ao essencial, que vem da extração dos pigmentos através da maceração e filtragem do sumo das plantas, aparece novamente quando o surge o interesse por visualizar e registrar plastídeos, mais precisamente a estrutura vegetal que armazena os pigmentos, o cromoplasto.

com isso, acredito que estou me entranhando cada vez mais profundamente na matéria prima, na sua visualidade, características e ação.

 

 

referências, diálogos e pares poéticos

quando iniciei a pesquisa, imaginei algumas referências com as quais pretendia dialogar:

as ficções botânicas de fontcuberta.

as performances com germinações de rubiane maia. 

 

o primeiro livro ilustrado com fotografias, produzido com cianótipos por anna atkins.

afinal, ao iniciar minhas investigações com os pigmentos, e meus testes de diluição deles, uma amiga me indicou ver obras de tadeo haenke, um pesquisador que saía em expedições e possivelmente fez a maior catalogação de pigmentos de vegetais, uma espécie de pantone floral, mas que não usava o mesmo sistema da escala pantone.

outra amiga, ao ver meus anthotypes, indicou que procurasse ver os herbários de lourdes de castro, que ela realizou com serigrafias, pinturas e heliografias, usando as plantas de seu jardim.

e uma terceira amiga, depois de uma conversa sobre por onde o processo andava me conduzindo, me emprestou um livro da artista anne geene. ela faz uma enciclopédia de tudo que encontrou (animais e vegetais) num pequeno lote de terra.

essa troca, esses diálogos com amigos tem sido muito enriquecedores, pois esses olhares atentos, que tem uma visão privilegiada de quem está vigilante, mas não está imerso no processo, me ajuda muitíssimo a encontrar mais pares poéticos. que surjam outros mais!

das coisas que viram coisas…

a intersecção entre artes visuais/ciências/natureza continua a me instigar.

cada vez mais os recipientes, frascos, utensílios, modelos e formas de apresentação de plantas, folhas, extratos, algas nos museus de história natural me chamam atenção.

na semana passada estive num museu que fica dentro do jardim botânico em são paulo. é uma pequena construção envolta por uma área verde imensa, dentro da cidade. lá registrei uma série de referências inspiradoras para montagens do trabalho, no futuro. clique nas imagens abaixo, para ver maior.

no dia seguinte fui visitar uma grande amiga e conversamos muito sobre as coisas que viram coisas. de como um objeto ou imagem, ao ser fotografado/a, vira um novo objeto ou imagem. e de como eu tenho feito uma única coisa, virar muitas imagens: é a batata doce, que ao brotar, é fotografada, e em seguida, essa imagem gera um desenho feito a partir de câmara lúcida. a mesma batata brotada, gera ramos, com folhas que viram anthotypes. nesse encontro, minha amiga fez algumas fotos dessas folhas/fotos contra a luz do sol, que transformou o objeto (a foto sobre a folha de batata) em transparências, brilhos, ou seja, outra imagem.

ainda com esse diálogo em mente, conversei também com outra amiga sobre a questão do texto no trabalho acadêmico. ela me indicou um artigo do vilém flusser sobre a escrita, mais precisamente sobre ‘ensaios’. e as diferenças entre o texto estilo acadêmico – que ele chamou de tratado-, ou estilo vivo – que ele chamou de ensaio-, é precisamente o como você decide se relacionar com seu assunto. ‘No caso do tratado, pensarei meu assunto e discutirei com os meus outros. No caso do ensaio, viverei meu assunto e dialogarei com os meus outros. No primeiro caso, procurarei explicar meu assunto. No segundo, procurarei implicar-me nele’*. não me parece fazer sentido num texto reflexivo sobre poéticas visuais ‘explicar’ o assunto. visto que o trabalho mais pretende trazer questões, do que explicações. enfim… o que sucedeu a esses dois diálogos e a essa visita ao museu foi uma noite de produção de fotogramas.

fui até o laboratório com a finalidade de experimentar fazer fotogramas de plantas sobre placas úmidas de colódio. desde as primeiras experiências, senti o desejo de incluir ruídos e manchas nas imagens. para isso, utilizei alguns sais que participam da construção química da imagem,  mas o adicionei de forma dispersa.

ao revelar a placa fui surpreendida com uma série de precipitações sobre a placa. uma formação de cristais que lembram muito estruturas de algas marinhas. só que metálica, dourada. fiz novas imagens, refotogrando essas placas de alumínio. agora umas macro fotografias desses cristais vistos através de lupas e lentes de aumento. imagens gerando novas imagens.

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consegui essas paisagens noturnas submersas.

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sigo perturbada com as imagens. uma perturbação daquelas boas. e desde então, só pesquiso microscópios, procedimentos para produção de lâminas com cortes histológicos, pois me deu uma vontade danada de visualizar pelo microscópio isso que é extraído das plantas e eu tenho usado como pigmento e material fotossensível. cada vez tenho mais vontade de mergulhar mais profundamente no que é elementar, essencial, naquilo do que o material é feito. talvez esteja aí as matrizes para minhas imagens.

e esse trajeto tem sido inexplicável, dinâmico. é mesmo uma pesquisa, uma investigação. cheio de acasos, de descaminhos. impossível fazer um tratado sobre essa vivência. talvez, só mesmo um ensaio possa dar conta dessa imersão…

 

*Flusser, Vilém. Ficções Filosóficas. Ensaios, publicado no jornal O Estado de São Paulo, 19/8/1967.

.:. .:. fátima roque e camila (mindu) mangueira: nossos diálogos são sempre muito inspiradores. só posso agradecer pelas deliciosas conversas. .:. .:.

 

 

arte e natureza

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antotipia, com beth lee

 

 

alguns meses ao ano fazemos no Sesc Belenzinho alguns projetos especiais na programação de tecnologias e artes para tratarmos de alguns assuntos específicos, daí a partir deles fazemos vários cursos e oficinas temáticas.

quando no final do ano pensávamos num eixo temático para a programação de desenvolvimento artístico do Sesc Belenzinho para entrar no Festival de Aprender (festA!) o assunto ‘arte e natureza‘ já estavam muito em pauta em minhas pesquisas e minha parceira de programação (lilian sarmento) também topou embarcar nesse tema.

a ideia era procurarmos artistas que usassem elementos naturais de modo pouco convencional em suas produções, e que topassem ensinar, demonstrar ou propor vivências com o nosso público.

fitoterápicos tarja verde, com clarice borian

salada musical, com francisco arlindo

pintura com tintas vegetais, com gisele fagundes

o fato é que foi inspirador ver tantos artistas lidarem com elementos naturais de forma tão diversa e criativa. tivemos desde o uso de limões como fonte de energia, impressão botânica em argila, anthotypes, desenho científico, pinturas com pigmentos vegetais, bordados que utilizam folhas como suporte e até tatuagem temporária a base de tinta de mimeografo e plantas como matriz.

desenho científico, com paulo presti

impressões botânicas sobre argila, com patrícia henriques

pintura livre com tintas naturais, com yasmim flores

foram cerca de 15 atividades programadas para um único final de semana (dias 11 e 12/março/2017), ocupando ateliês, sala de tecnologia e artes e também espaços abertos da unidade (área de convivência, galpão, entrada da rua uriel gaspar e containers na praça central). foi um final de semana intenso, divertido e bonito.

tatuagem temporária – registros de uma folha, com Estela Miazzi

na 2a. feira, quando estava de folga, lendo ‘a arte e a natureza – de michel ribon‘ na cadeira de balanço me dei conta de como minha pesquisa autoral e meu trabalho profissional às vezes se entrelaçam deliciosamente.

grifei uma série de parágrafos que deixo aqui, como nota mental para momentos em que retornarei ao texto, na elaboração da escrita para a qualificação.

michel ribon – a arte e a natureza

“imitando a natureza naturante nas suas operações criadoras, a arte, como que movida por um impulso semelhante (o que kant chamará de gênio), também dá sua forma e portanto sua unidade, à coisa que produz. (…) o gesto do artesão ou artista consagra a união de duas essências: a essência como matéria informe, substrato das qualidades sensíveis, e a essência como forma.” pg. 61
“a arte (…) leva a seu termo o que a natureza não teve o poder de terminar: ela é seu complemento e não sua repetição supérflua. assim, a arte imita a natureza não naquilo que produz mas nas suas operações criadoras, como se tentasse produzir como ela e, ao mesmo tempo, melhor que ela.” pg. 62
“transmutar as formas ‘naturais’  em metáforas verbais ou plásticas que traduzam sua emoção, para comunicá-la ao leitor ou ao espectador.” pg. 63